Desmascarando Demagogias
Silvia Ferreira


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09/11/2009 14:37
Meu presente de Natal

Presenteie um artista com um poema
Que não exponha seus limites
Pois ele não vê dicotomia
Nas possibilidades
O artista só vê a vitória
Do sonho realizado entre cada sonho sonhado
E a cada plano frustrado
A certeza de que ainda dá...

Presenteie um artista com uma resposta
Pois ele mantém uma galáxia de perguntas
Estrelas que brilham
Reluzem, ofuscam, incomodam
Mas que tantas vezes iluminam o caminho
Longo caminho, que faz a dúvida demorar
Mas ensina a caminhar

Presenteie um artista com uma lembrança
Pois cada pessoa que passa
É um verso que nasce criança
Que faz birra, faz gracinha
Brinca, gira, pede atenção
Escolhe ganhar ou ferir um coração
E acaba fazendo história
Pois na tentativa de rimar
O poeta aprende a amar!

Silvia Ferreira | comentários(2)



07/06/2009 04:17
ESSE MUNDO NÃO ME PERTENCE. NÃO FOI ELE QUE EU PEDI. CADÊ O GARÇON?

Fiquei dias e dias pensando em uma forma de dizer isso sem bancar a ingrata. Aí, hoje saí na sacada, olhei pro céu e resolvi assumir: Eu cheguei até aqui, foi difícil, mas é isso aí mesmo: no fundo, eu não quero mais.

Um dia você acorda e pára pra pensar sobre a vida e acaba concluindo: Peraê! Este mundo é o mesmo que eu quis? É o mesmo que eu vivi quando era criança? Por que mudou tudo? Pára, pára, eu quero descer!!!!

Aí, você desce, olha em volta e se sente mais uma no meio do mundinho medíocre das pessoas normais. Forma supera conteúdo, vontade sobressai responsabilidade, as pessoas valem menos do que qualquer coisa.

Que lugar é esse, não era assim! Eu desci, não adiantou! Claro que não adiantou, tonto! O destino é o mesmo, o caminho é o mesmo, as pedras são as mesmas, seja qual for o ponto onde você pára.

Aí dizem: Maravilhoso é viver, você tem que seguir em frente, tem que ir tropicando, se esborrachando, quebrando a cara no chão, se lascando todo. É, da hora, e no fim das contas, já velha, você já não pode usar saia por conta das marcas das casquinhas de ferida que você arrancou na ansiedade de ver cicatrizar, e também por causa das varizes que você ganhou por ter andado tanto tempo sentada na frente do computador.

Quem tem as marcas da vida não pode exibi-las, é feio, e a sociedade quer ver gente bonita, quer ver modelo-boneca que tropica na seda, no balão pula-pula, no tatame, no colchão de espuma. Mas, não se engane, otário. Independente do que forra o chão, tá todo mundo tropicando. É o desequilíbrio que conta.

Sabedoria? Não serve pra nada, não dá mais tempo de usar a meu favor, e o jovenzinho pentelho que poderia aproveitar não vai querer me ouvir porque outro idiota que achava que era sábio mandou ele correr, pro tropicão ser mais animal. Aprendizado? Grande aprendizado, seu trouxa. Tá todo ralado aí só porque queria aprender o que já sabia.

Agora sentiu na pele, né? Valeu a pena, mas tá ardendo, né? Agora vai, chama aquela pessoa que você usou como armadura nessa sua aventurinha, pra passar merthiolate, pra arder ainda mais. Ah, ela não viria? Não será porque você percebeu tarde demais que ela era uma pessoa, e não uma armadura? Que isso não é filme de gladiador e lanças de sentimentos mal-resolvidos machucam de verdade?

Eu queria compartilhar, eu queria que as pessoas compartilhassem comigo. Mas no fim das contas, só sobra esmola. Só sobra o que nos sobra. Já experimentou, hoje, dar alguma coisa que não esteja sobrando? Pode ser amor, pode ser paixão, pode ser amizade, pode ser um agasalho, pode ser compreensão. Saia do seu egoísmo, manda essa sua sabedoria individualista pro saco, o futuro é hoje, você precisa pensar que nem gente HOJE! Por que tem que ser burro e tropicar pra ter a certeza de que fez merda se ela era tão evidente?

Pára já com essa filosofia do “se joga”, ela só foi inventada pra justificar as sacanagens que você faz com os outros. Brinquedinho costuma ser de plástico, de metal, de vidro, até de papel, mas nunca de carne e osso. Se você não deu sorte de encontrar um forro fofo pra cair, não mete o pé no estômago do infeliz que parou um segundo pra descansar e limpar as feridas. Amanhã pode ser você. Quanto mais você caminha, corre, pula e se joga, mais aumenta suas chances de não conseguir coagular os machucados.

Vai dar hemorragia e você vai se sentir vazio. Vai buscar eternamente algo que você não sabe o que é, mas que poderia estar nas pessoas que você pisou. É a deliciosa sensação de fazer alguém feliz. Você vai perceber que buscou tanto a sua felicidade, a qualquer preço, que não percebeu que ela não dependia de você. Dependia das relações de qualidade que você poderia ter construído, independente do tempo que elas durassem. A questão não é o tempo... Afinal, o caminho da vida tem tantas encruzilhadas, é bifurcação que não acaba mais, cada um toma seu rumo. Quer mesmo que lembrem de você com ódio, com rancor, com mágoa?

Preste atenção... É triste descobrir no final que a sua felicidade dependia do sorriso da pessoa que você fez chorar. E não dá mais tempo... não dá...

Dedicado a todos os seres humanos que me fazem desacreditar no ser humano. Tem gente infeliz demais por aí, só me resta fazer a minha parte, cantar e escrever pra tentar diminuir uma gotinha da minha dor e da dor do mundo. E nem vem me dizer que eu sou uma pessimista de galocha, e que tá tudo lindo, porque alguma coisa sempre dói. Eu sei que dói. Né? Permita-se admitir-se humano. Alivia.


Silvia Ferreira | comentários(6)



26/04/2009 00:22
A Razão dos Suicidas


Estava desanimado. Não conseguia se conformar que a vida, as pessoas, tudo era APENAS ISSO. Sem nome, traduzido por um NADA MAIS.

Por que se sentia o único inseguro da face da terra, mesmo desconfiando da aparente segurança de todos?

No trabalho, as regras da boa convivência corporativa tolhiam qualquer manifestação de atos naturais. No amor, na amizade, nas companhias, o medo o afastava dos sentimentos que pareciam recíprocos. Considerava que as pessoas poderiam ter os mesmos “defeitos” que ele, mas precisava de provas: manifestações de humanidade. E as pessoas, por sua vez, lhe negavam essas provas, pois revelar-se humano era coisa de outro mundo.

Não, não estava tudo bem. Nunca está. Bebeu o último gole, quebrou o fundo da garrafa e enterrou-a sobre o coração, dando fim ao seu personagem naquele teatro de dissimulações. Personagem dispensável, aliás - eram todos iguais.

De repente, viu que as pessoas estavam nuas, de corpo, alma, coração e consciência. Então, tudo fez sentido e ele se arrependeu do primeiro suicídio. Valia a pena viver, mas apenas a onisciência adquirida com a morte pôde lhe dar essa certeza.

Por outro lado, sem as perguntas de sempre, viver sem precisar desvendar a vida também não tinha sentido. Logo, chegou o segundo ato de autodestruição.

Depois, o que fazer?

Nada mais. Ele também aprendeu que o castigo do aprendizado é a impossibilidade de aplicá-lo. Sempre é tarde demais e as situações não são iguais. Se fossem, não teria sentido revivê-las, e viria a terceira morte.

As mortes deixaram o corpo cansado demais para tentar voltar à vida. Mas a alma, agora, descansava em paz. Sem expectativas. Sem perguntas. Sem inseguranças. Sem medos. Sem sonhos. Sem planos. Sem frustrações. Sem graça.


Se eu não desconfiasse de todas as razões, jamais estaria viva para escrever este post.
Eu sei que você é tão inseguro quanto eu.
Tem tanto medo quanto eu.
É tão incompleto quanto eu.
Admita, e veja como é maravilho ser humano no planeta Terra, junto com outros humanos da mesma espécie.



Silvia Ferreira | comentários(4)



22/04/2009 03:25
EIS O MELHOR E O PIOR DE MIM


Não quero só ficar bem na foto
Quero dizer a que vim
Mesmo que isso me custe
Revelar coisas que não gosto
Em mim.
Nem sempre gosto dessa cara de alegre,
Quando sei que tenho tanta dor por trás
Eu não acredito em mais nada a 8 a 80.
Você sabe, eu aprendi demais.
(Marina Lima)

"Ninguém sabe o bastante para ser um pessimista"
(Norman Cousins)

Viver não me custa nada
Viver só me custa a vida
A minha vida contada
(Gil)

... mas a alma adivinha o preço que cobram da gente......
(Roupa Nova)

Caos.
Livrem-me dos livros e das músicas.


Silvia Ferreira | comentários(0)



29/03/2009 02:17
Sete coisas sobre mim (quatro delas são verdadeiras)


Seguindo sugestão do loirinho:


1) Meu primeiro porre de destilado foi aos 4 anos de idade, quando consegui alcançar uma coqueteleira cheia de caipirinha dentro da geladeira e bebi tudo. Minha mãe achou que a brincadeira da vez era dar risada, tropeçar e cair no chão. E tava achando tudo uma gracinha.

2) Aquela mancha vermelha que eu tenho no pescoço na verdade não é marca de nascença, é um coágulo permanente resultante de espancamento. Eu digo que é mancha de nascença pra poupar a minha irmã.

3) Eu fui uma criança careca e a maior frustração da minha irmã era não poder fazer penteados em mim, como fazia nas suas bonecas. Aí ela me batia.

4) O meu primeiro beijo de língua na verdade foi aos sete anos, no meu primo da mesma idade, enquanto a gente brincava de casinha. O trauma foi tão grande que eu só voltei a beijar na boca aos 15.

5) Eu tenho uma cicatriz de mordida no braço esquerdo porque um dia eu disputei a posse de um potinho de iogurte vazio com o cachorro da minha tia.

6) Uma vez eu roubei uma salsicha da panela dessa mesma tia. Alguém ficou sem a mistura da janta aquele dia.

7) Um dos pecados que eu contei na minha primeira confissão foi o roubo da salsicha.

E você? Vai contar o que?


Silvia Ferreira | comentários(3)



10/03/2009 02:03
A GRANDE PRECE


Domingo, Laís acordou às 11h da manhã. Desligou o vaporizador importado, puxou a cortina de cetim francês anti-alérgico e constatou que lá fora fazia sol. Cansada do ar condicionado, que desde cedo era alimentado por placas de energia solar ecologicamente corretas, constatou um dia propício para curtir a piscina. Da mãe, não sabia bem; o pai, devia estar trabalhando. Só não se lembrava da última vez que o tinha visto.

Avistou o telefone sem fio sobre uma cômoda de design contemporâneo que combinava harmoniosamente com os rodapés de fibra natural. Mas preferiu o celular acomodado sobre a prateleira espelhada que, segundo a arquiteta, dava a ilusão de aumentar o espaço interior do pequeno quarto de 60 metros quadrados. De última geração, com câmera e filmadora de 20 megapixels, rádio FM e Mp4, internet ilimitada, gravador de voz e videokê portátil, o aparelho também sabia fazer ligações.

Como ele era mais bonitinho, mais agradável e pós-pago, preferiu usá-lo para convidar as amigas. Não queria usufruir sozinha da diversão no grande jardim projetado para o conforto e relaxamento. Ela já tinha enjoado de tudo aquilo. Até se sentia meio apática ao observar as plantas fotossintetizando durante todo o dia. “Nossa, ser verde assim deve dar muito trabalho”, pensava. Então, com as amigas, ao menos teria assuntos em comum, como filosofar sobre os últimos seriados teen da TV a cabo, invejar as mais recentes aquisições de roupas, sapatos e acessórios de grife e compartilhar alternativas para um dos problemas que mais afligem os adolescentes da alta sociedade: a falta do que fazer.

Combinada a reunião com as amigas Clarissa e Marcele, chamou a camareira para arrumar a cama bem aproveitada durante a noite. “Tenho um sono agitado”, gostava de ressaltar. “E a Maria sabe colocar as coisas no lugar como ninguém”. Sentia-se bem elogiando a Maria. Tinha ouvido falar de responsabilidade social na escola esses dias.

Desceu até a cozinha, pediu que a Francisca servisse o café da manhã. Passava das 11h30. Janaína, a pequena filha de Francisca, de apenas 9 anos, ajudou a mãe a colocar a mesa. Frios, pão italiano, frutas da estação, frutas fora de época, leite, cereais, cookies, geléias importadas, café e um bolo de damascos que permanecia intacto, mesmo tendo sido servido na tarde anterior e no mesmo dia pela manhã. Laís retirou uma fatia bem fina, provou, não gostou – “gosto de pão velho” - e ofereceu à Janaína. Afinal, a mãe dizia que devemos oferecer aos empregados aquilo que não nos serve mais. E Francisca confirmava, sempre fazendo questão de lembrar: “A patroa é sempre tão boa pra gente”, alertava os colegas empregados, sempre que algum deles ameaçava usufruir da riqueza ilusória na ausência dos patrões.

Foi quando Laís lembrou-se de perguntar sobre a mãe. Foi à floricultura, comprar flores novas para a decoração da casa, conforme informou a cozinheira. “Ah, é mesmo. Ela disse ontem que estava triste e precisava dar um jeito de alegrar a casa. Deve ser por isso. Mas a floricultura abre de domingo, Chica?”. “Não sei, patroinha. Essas coisas de rico, deve abrir”. Ela tomou uma xícara de leite, comeu uma fina fatia do pão italiano com geléia e ficou satisfeita. Ainda de pijama, caminhou até a sala e deu de cara com a mãe, revoltada com o atendimento na floricultura.

“Vou falar com a Beth. Ou ela demite aquela funcionária mal educada, ou não volto mais naquela loja”, pronunciava com ares de maioral. Mas por que já não falou com a Beth, mãe? (Boa pergunta, Laís, estamos curiosos para saber). A mãe explicou que a proprietária da loja não estava. Havia programado uma viagem a Campos do Jordão, pra fugir do calor, mas concordou prontamente com o pedido de abrir a loja no domingo para um atendimento vip, a portas fechadas. Convocou Leda, uma de suas funcionárias, para executar o trabalho em regime de hora extra. “Tudo conforme a lei”. Só não levou em consideração que uma das tarefas de Leda no domingo era preparar o almoço para marido e filhos. No sábado, não deu tempo de marinar o frango que seria assado porque uma das clientes marcou hora e, muito atarefada, acabou atrasando os compromissos no salão de beleza. E no domingo, enquanto a mãe de Laís procurava flores para mascarar o vazio da sua inutilidade, havia uma família classe C com fome, ansiosa pelo retorno da matriarca. Bem mais ansiosa que Laís, diga-se de passagem.

No almoço, a história se repetiu. Muita comida, pouco consumo, pouco caso e caridade com os empregados. E essa falta de sentido prosseguiu durante toda a tarde, até que com o pôr-do-sol veio a lembrança de que era dia de missa. A mãe aprontou-se com vestido Armani, brincos e pulseiras Tiffany, sandálias Dolce&Gabbana e bolsa Versace, arrematando com um perfume Chanel. “Jesus merece o melhor”, confortou-se, lembrando-se das aulas de catecismo e dos ensinamentos do tradicional colégio de freiras, onde estudou na juventude. Já havia até escolhido seu sacrifício quaresmal: durante quarenta dias, não compraria nenhum par de sapatos, e ainda doaria para os pobres 10% das centenas de pares que abasteciam seu closet.

Convocou o motorista, optou pelo carro mais simples que estava na garagem, um Meriva,“pra não ostentar”. E foi para a igreja, blindada. Chegando lá, deparou-se com a abertura da Campanha da Fraternidade 2009: “Fraternidade e Segurança Pública”. Ouviu a homilia atentamente e, na Oração da Comunidade, acompanhou a assembléia:

Bom é louvar-vos, Senhor, nosso Deus,
que nos abrigais à sombra de vossas asas,
defendeis e protegeis a todos nós, vossa família,
como uma mãe, que cuida e guarda seus filhos.

Nesse tempo em que nos chamais à conversão,
à esmola, ao jejum, à oração e à penitência,
pedimos perdão pela violência e pelo ódio
que geram medo e insegurança.
Senhor, que a vossa graça venha até nós
e transforme nosso coração.

Abençoai a vossa Igreja e o vosso povo,
para que a Campanha da Fraternidade
seja um forte instrumento de conversão.
Sejam criadas as condições necessárias
para que todos vivamos em segurança,
na paz e na justiça que desejais.
Amém.


O padre quis complementar a oração:

Pelos nossos governantes, para que Deus ilumine ações efetivas de INCLUSÃO, PAZ E JUSTIÇA SOCIAL, rezemos:

E como toda a comunidade, ela respondeu, com a sensação de missão cumprida:

SENHOR, ESCUTAI A NOSSA PRECE.


Reflita, por favor, até que ponto o cotidiano de luxo não é bastante parecido com o seu, talvez um pobre internauta recém-inserido no mundo digital. Pois mudam os valores, as quantias empregadas, o tamanho da poupança e a qualidade dos gastos... mas muitas vezes a atitude diante da vida é a mesma. Vamos tentar desligar o nosso computador pessoal de última geração e pensar qual foi a nossa parcela de culpa nessa grande merda que se tornou o mundo, porque não há Bush, não há Obama, não há Saddam, não há Lula, não há Hitler que consiga fazer tudo isso sozinho.


Post incentivado pelo amigo Gabriel, para o dia da blogagem coletiva sobre inclusão social, que eu atrasei um dia, mas tá valendo :)

Silvia Ferreira | comentários(9)



16/02/2009 01:06
Poemas de amor racional do Fernando Pessoa

Pra quem já ama intensamente, pra quem cansou de amar sem retorno, pra quem tem medo de amar, pra quem tem vontade de amar e pra quem está com a tal síndrome do coração preguiçoso (porque amar dá muito trabalho!).

Ele diz tudo. E eu não tenho nada mais a declarar. :)



Para viver a dois, antes, é necessário ser um

“Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.”

Como amas?

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”


Pense e ame... ou não

"Tenho tanto sentimento
Que e' frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheco, ao medir-me,
Que tudo isso e' pensamento,
Que nao senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."



Não se acostume com o que não o faz feliz

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Ama... e ama!
(Esse é meu preferido, eu posso recitar em qualquer lugar! rs)

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

E o que é o amor?

Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,
aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.


Silvia Ferreira | comentários(3)



11/01/2009 02:29
Tudo o que eu preciso agora...

...é de uma música que fale por mim.

Apenas as notas me traduzem.
Somente os versos me encontram.
A música me desconcerta.
Me desmorona.
Traz o que falta
O efeito que não se vê
O retorno que não se ouve
A decisão que não se sente
O medo que não se fala.
Respostas que estão ali. Junto aos sentidos. Escondidas.
Como se pudessem ser desconhecidos a quem passa ao lado
fingindo não ver, não ouvir, não falar e não sentir
se achando a única vítima da história.

Não há vítimas. Há instabilidade. Há impasse.
Falta o que todos querem ter e ninguém quer dar
Falta o direito de ser humano sem ninguém espiar o que aparece
pela fechadura da porta, pela fresta da janela
Porque o que aparece não é humano.
E ser também significa não ser
(O padre Fábio disse que somos constituídos nos nós e nossos avessos)
O vão dos sentimentos não estará aberto a quem não desejar decifrá-los.
E nem a quem tem intenção...
Pois quem não os vive não pode entendê-los.
Por isso continuo à espera da música.
Ela senta ao meu lado e sorri.
Sorri e me canta.
Simples assim.
Mais simples que eu.





Silvia Ferreira | comentários(1)



07/12/2008 01:20
Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais!

Ir embora...

Três pontos, porque não é o fim.
O que eu vivi aqui nesses quatro anos ultrapassou o limite do eternizável.
Eu podia escrever um mega discurso digno de orador da turma, mas não dá.
É que todo discurso tem começo, meio e fim.
Tem uma linha de raciocínio, um sentido.
E o que eu estou sentindo não tem lógica.

Uma nostalgia incontrolável do passado, misturada com sonhos para o futuro e um desejo profundo de paralisar o presente pra viver só ele.

SAUDADE.Do que foi, do que já não é, da dor que já não me dói, da antiga e errônea fé, do ontem que a dor deixou, do que deixou alegria, só porque foi e voou, e hoje já é outro dia.

Uma fraqueza absurda pra começar a arrumar as malas e encaixotar os livros, recolher cada lembrança sutil e decidir o que vai comigo e o que fica. Alegria por poder levar comigo o que de melhor já se incorporou em mim (e não foi pouca coisa).

Medo. Medo da vida.

Coragem. Uma força interior suprema pra seguir e vencer.

Apego. Vontade de desapegar. Capacidade pra desapegar. Negação da capacidade.

Sentimento de missão cumprida. Sensação de coisas deixadas pra trás. Vontade de ir embora. Vontade de ficar. Vontade de voar.

Deixamos vestígios nas pessoas amamos. Um pouquinho de nós sempre fica... e isso é o que importa.

O fim é belo incerto, depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você... e só enquanto eu respirar vou me lembrar de vocês.


Silvia Ferreira | comentários(7)



02/12/2008 00:23
Um amor, um lugar...

Acordou. Olhou em volta.
Viu bagunça.
Recostou. Olhou pra dentro.
Viu desordem.
Olhou no espelho, viu cansaço.
Olhou de novo, viu sono.
Olhou o coração. Viu preguiça.
Olhou do lado. Viu relógio.
Pegou o relógio. Viu o horário.
Olhou a história, viu vitória.
Olhou mais fundo, viu falácia.
Procurou o sentido, não viu.
Só viu o tempo passar, vil.

Olhou pra trás, viu o que não queria.
Olhou pro céu, não viu nada.
Mas pediu.
Olhou pra dentro e nada viu.
Tudo sumiu.
Olhou pra fora, viu exagero.
Olhou pra si, viu recomeço.
Olhou de novo, viu vontade.
Uma vontade que nunca se viu.
Mas que sempre existiu.

Um amor, um lugar,
Pra sonhar, pra parafrasear.
Pra que a dor possa sempre mostrar
algo de bom.




Silvia Ferreira | comentários(2)



10/11/2008 01:34
As coisas que a gente se pergunta depois que entrega o TCC...


1) Quem é Barack Obama?
2) A Donatela tá com o Zé Bob ainda?
3) A Flora já matou o seu Gonçalo?
4) O CQC ainda tá no ar?
5) Como assim, não tem mais TCC pra fazer? Peraí, acabou? É sério?
6) Como assim, solicitar colação de grau? Isso era pra ser daqui há quatro anos!
7) Quê? Tem bienal em São Paulo de novo? Mas a outra não foi no ano passado? Bienal não é de dois em dois anos? Como assim já passou 2 anos??
8) “Confira os resultados das provas da UF-num sei o q”? Peraí, existe vestibular ainda?
9) Decoração de natal? Hã? Quê? Dia 2 foi finados? Teve um feriado esse mês? Caraca, tinha q ter ido à missa??
10) Eu preciso ir mesmo embora?

Alguém complementa?

Tá acabando, gente, tá acabando... parece mentcheeeeera... pinta de neón q eu ainda tô bege!

Silvia Ferreira | comentários(4)



21/10/2008 03:22
TALENTO DE GOSTAR

Bom, como a Fer já previa, eu não tenho personalidade mesmo e voltei. É o segundo post desde que eu prometi não postar mais nada até o fim daquela invenção do demo chamada TCC.



Mas é que hoje eu fui a São Paulo, e jornalistinha caipira do interior sempre volta de lá com história pra contar. Por exemplo, quando estava saboreando a tradicional dupla coxinha com suco em um quiosque da Barra Funda, uma mulher do meu lado gentilmente mandou a atendente esquentar os pães de queijo que estavam frios, eliminar aquela cara de bunda e parar de atender igual o rabo. Como se fosse possível sorrir depois dessa.

Tentei digerir e fui ao banheiro grátis, que é mais zoado, mas é grátis. Até acho que a integridade do meu traseiro vale um real, mas estava com preguiça de procurar a moeda. Eu tinha uma nota de 20, mas mesmo que tivesse troco, dá dó de usar só pra ir no banheiro.

Entrei. Papel, já sabia que não tinha, mas o mais importante, aquele espelhinho de bordas cor-de-abóbora, não estava lá como das outras vezes (não é a primeira vez que eu coloco meu bumbum em risco). Perguntei por ele, com saudades. A moça da limpeza disse que precisou tirar, porque senão já estaria quebrado. Ainda tentava entender a lógica da resposta quando fui abordada por uma mulher me pedindo um real porque a mãe dela tinha morrido de câncer. Não entendi a lógica também. Desencanei.

Enquanto comia uma coxinha, tomava um suco e vivia uma aventura no banheiro gratuito, esperava um ônibus que ia demorar mais ou menos 5 horas pra chegar até o destino final. Tinha bastante tempo pra pensar. E enquanto tudo isso acontecia, me questionava de onde vem o carinho que sinto por algumas pessoas.

Muitas delas, nunca me deram motivos. Outras, são completamente diferentes de mim. Outras, só conheço por MSN. Outras, nem conheço. Só admiro. Mas admiração não está necessariamente ligada ao carinho. O Max Gehringer, por exemplo, eu acho foda, escuto ele todo dia, mas não tenho vontade de abraçar. Então, o que acontece? De onde vem isso?

Toda habilidade que a gente não consegue explicar é simplesmente talento. Pode ser que o talento seja meu, o talento de gostar. Pode ser que o talento seja de quem eu gosto: talento pra ser gostado. Lamento que muitas vezes o talento de ser gostado não seja diretamente proporcional ao talento de retribuir. E também lamento que existam pessoas sem nenhum dos dois talentos.

Só sei que essa coisa, sem sentido e sem lógica, como todo talento, é inebriante. É delicioso sentir. É delicioso colocar em prática. É delicioso dar carinho. É delicioso agradar. É delicioso celebrar em pequenos atos o inexplicável do ser humano.

Por isso, o meu muito obrigada a todos que se deixam gostar, sem precisar se esforçar pra isso.

Digressão
A Sandra de Angelis me ensinou hoje: Não tenha medo da crise se você já é um fodido. É a lei da gravidade, quem está perto do chão, do chão não passa.



Silvia Ferreira | comentários(3)



15/10/2008 00:03
Convicções Políticas


Deboche;
Megalomania;
Empirismo;
Dialética;
Fazer o bem;
Crianças;
Voto nulo;
Amanhã;
Depois de amanhã.

Próximos passos:

AMANHÃ: tirar o deboche da política.
DEPOIS DE AMANHÃ: tirar a política das convicções.


Silvia Ferreira | comentários(2)



28/09/2008 23:52
Aos leitores imaginários!

Você viu que o meu blog saiu no jornal? Não? Ahhhh! Vocês não viram que isso não me rendeu nenhum comentário a mais? Isso quer dizer que ninguém se interessou em sair do impresso e ir até uma janela do Explorer pra ver "qual era a dessa mina"? Isso quer dizer que o conteúdo dos cadernos de Cultura causam menos impacto do que as colunas vendidas do Rufino e do GNP! (Na mesma edição, soube de um estimável retorno via telefone para algumas empresas que barganharam o espaço). Ou pode ser também que o meu blog não tenha nada a ver. Se o que eu faço não tem nada a ver, e o jornalismo não-pago também não tem nada a ver, isso quer dizer que todos nós aqui somos um simulacro torto de uma realidade que a gente acha que existe?

THIS IS NOT A BLOG.

De qualquer maneira, agradeço a presença ilustre e a fidelidade de todos os meus leitores imaginários.

Carência de blogueiro é foda, né?

Eu só passei aqui pra dizer oi, e avisar que vou ficar um tempo sem postar, mas vou continuar pensando, tá? É que tô de cabeça no TCC, apesar de ter várias inspirações :)

Antes de sumir, eu só preciso falar algumas coisas... primeiro sobre os SONHOS! Estou tentando difundir um pensamento do Darci Ribeiro (os amigos mais próximos já estão rindo do clichê), mas como eu não tenho tempo de dissertar, só vou lançar pra reflexão: "A gente não sabe como o mundo vai ser daqui a 30 anos. Então ainda dá tempo de interferir nos rumos da história".

Eu também queria falar sobre os fundamentos da política, das eleições, da crise econômica mundial e do neoliberalismo, quatro coisas que não existem, mas querem fazer a gente acreditar que existem. E já que não existem, porque estou perdendo meu tempo pra falar sobre essas coisas? Para incitá-los à reflexão sobre a grande falácia que virou o mundo.

THIS IS NOT A WORLD.

Eu também queria falar sobre a única coisa que vale a pena... SERES HUMANOS! Com todas as crises existenciais, é a coisa mais sincera que existe. Por isso, só queria convidá-lo a olhar para si, enxergar suas verdadeiras potencialidades, ressaltá-las e ser feliz. As efemeridades são apenas um detalhe. A loucura é o que realmente vale a pena nesse manicômio global, desde que ser louco seja sinônimo de ser sonhador. Ame o que já passou. E ame o que está por vir. E viva agora o que tiver pra viver, desde que não atrapalhe o que você possa vir a viver depois (desgaste a sua alma, mas conserve seu corpo, pois ele acaba).

Acalme-se com as fases. Da insegurança, vem a autoconfiança. Da autoconfiança, com estudo e técnica, vem a excelência. QUE DEMORA MUITO A CHEGAR. E pode demorar mais se você não se empenhar em chegar até ela.

E pra que a excelência?

Esqueça o top business das VOCÊ S.A.'s da vida. Atingir a excelência é fazer o seu sonho virar realidade. E tudo isso pode durar uma vida.

Parece que sou bem resolvida, né?

Só estou compartilhando algumas reflexões que venho tentando aplicar, na maioria das vezes com insucesso, ERRANDO ENQUANTO O TEMPO ME DEIXAR.

Você não sente não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer.. o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer.

O presente, a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais!


Silvia Ferreira | comentários(9)



20/08/2008 01:16
POÉTICA

Passei os últimos dois dias em companhia de Manuel Bandeira e Fernando Pessoa.
Eles voltaram, pediram licença, entraram com tudo e tornaram a me viciar. Havia quase esquecido o que as palavras doces são capazes de despertar... Boa recaída! Por isso, resolvi seguir os conselhos do Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa):

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.



E quem é igual a mim-própria? Manuel traduz!


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare


— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


E o tempo perdido até aqui com o lirismo cativo? Fernando Pessoa compartilha sua infinita sabedoria:

Amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,

A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia


Por isso, encerro com a fé de Manuel...

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
<


... e vou-me embora pra Pasárgada.


Silvia Ferreira | comentários(1)



15/08/2008 00:59
Reflexões esparsas

O padre acabou de falar na TV que eu sou o ser humano certo.
E que eu não posso me convencer do contrário.
Por que apenas eu sei o que eu sou de verdade.
Caramba, ele tem razão. Então, pode me julgar à vontade.
Eu já descobri quem está tentando me roubar de mim.

“Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina”, continua o padre.

Rubem Alves acabou de dizer que a solidão é minha amiga. Por que o operário em construção se descobriu poeta na solidão.

Thiago Roque acabou de escrever que seu carinho é mendigo. E eu também não sei o que fazer com o meu. Por que é tanto, não cabe mais dentro de mim, e eu já repassei pra todo mundo que se mostrou interessado em receber.

E fico me perguntando se os aparentemente desinteressados não gostariam de receber também. E tantas vezes, por orgulho, me afogo no meu próprio carinho, pois me recuso a dividi-lo com quem pode não dar a ele o valor que ele merece.

Mas a idéia não é dar sem receber?
Pois é, é. É só uma filosofia bonita. Mas eu quero carinho também, e não estou afim de nadar sozinha. É triste. É solitário. É frustrante. E não dá pra ser feliz assim.

E aí a gente escreve. “Reproduz o irreproduzível”, como diz Clarice.
E aí a gente canta. Toca. Transcende.
Joga o carinho pro ar. Pega quem quer. Alivia o peso do excesso e depois sofre com a dor do vazio.

Obrigada, Deus, por inventar as notas e as letras.
O carinho e o amor.
Os blogs e os escritores mágicos.
E o Paulo Freire, que disse que é preciso não se render a quem proclama que sonhar é uma forma de fugir do mundo e não de recriá-lo.

Por eles e com eles, eu sigo lutando pra não seguir resignada e muda no compasso da desilusão. Por que esse ano tem eleição.


Silvia Ferreira | comentários(4)



30/07/2008 23:33
Um papo com o seu dotô!

- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde!
- Como você está?
- Olha doutor, eu estou bem. Na verdade, quando alguém pergunta isso, se eu analisar bem mesmo, eu quase nunca estou 100% bem. Mas eu tenho que dizer que está tudo ótimo, senão fico conhecida como uma pessoa negativa. Então eu tento ser simpática. Digo que tá tudo bombando na minha vida, e assim as pessoas gostam da minha presença.
- Nossa, espero que você esteja pelo menos uns 99% bem então!
- Não, doutor, não tô. Mas se eu disser que tô 50% bem, o senhor vai tentar me convencer que eu não tenho motivos pra reclamar de nada.
- Mas olha pra você! Uma moça jovem, bem disposta, inteligente, bonita!
- É doutor, essa parte legal aí é a parte do 50% que tá bom. Mas não elimina o 50% que tá ruim. Manja?
- E o que tá ruim?
- Eu só posso dizer a parte ruim que me trouxe até aqui, e espero que o senhor transforme em uma porcentagem positiva.
- Tudo bem, você que sabe. O que você está sentindo?
- Minha cabeça tá doendo.
- Humm... que mais?
- Acho que é de tanto pensar.
- Bom, nesse caso eu posso te receitar um analgésico enquanto não encontramos o problema, marcamos uma ressonância magnética e...
- Doutor, eu só quero parar de pensar.
- Por quê???
- Por que se eu parar de pensar minha vida vai ser 100% boa.
- Minha filha, você não pode pensar assim.
- Ah doutor, todo mundo diz que a gente tem que aceitar de boa tudo o que a vida oferece, mas tipo assim, se eu continuar pensando do jeito que eu penso, não vai dar pra continuar não.
- Mas minha filha, você deseja se matar então?
- Não doutor, eu só quero aprender a ser passiva pra parar de sofrer.
- Mas você é jovem ainda, mais tarde você vai ver que tudo o que acontece na nossa vida tem um porquê.
- Tá doutor, mas enquanto eu não tô sacando esse porquê, tá foda.
- É a ansiedade própria da juventude...
- É doutor, deve ser. Mas o mundo tá todo lascado porque os jovens deixaram de ser jovens, e conseqüentemente deixaram de ser ansiosos.
- É uma boa reflexão!
- É doutor, mas me deixa nervosa. E aí minha cabeça dói. E eu vim aqui pra cabeça parar de doer.
- Me desculpe. Mas eu preciso entender por que sua cabeça dói quando você pensa. Eu tenho que compreender o processo pra tentar te ajudar.
- Então tá, doutor, vai olhando aí que eu tô pensando.
- Pensa fundo!
- Eu vou ter que votar pra prefeito esse ano de novo.
- Agora despensa devagar!
- Se – prefeitos – fossem – ansiosos – como – eu – eles – já – teriam – mudado – uma – pá – de – coisa – na – cidade.
- Pensa mais, querida.
- Se eu disser tudo o que com certeza eu teria mudado no lugar dele, as pessoas vão dizer que eu não tenho conhecimento pra mudar nada. Mas eu tenho ansiedade. E o conhecimento dele não serviu pra merda nenhuma. Só pra manutenção do status quo. E essa última frase clichê aí, é o que traduz melhor a coisa, mas meus amigos vão dizer que eu não tenho capacidade de escrever nada melhor, logo, não tenho capacidade pra ocupar o lugar do prefeito. Só que o prefeito nunca disse nada muito melhor que isso. O doutor descobriu alguma coisa aí?
- Nada!
- Mas eu descobri que o mundo não tem solução, então eu quero parar de pensar.
- Você é muito inteligente!
- Mas eu não queria ser.
- Por que?
- Por que hoje em dia isso não quer dizer nada. A maioria da galera que se dá bem é medíocre. E a galera medíocre pensa pouco, com sérias restrições. E eu quero me dar bem, logo eu preciso parar de pensar. Pra me dar bem, eu preciso, inclusive, deixar de pensar que tem tanta gente por aí se dando mal pra caralho.
- Ah, mas você tem que pensar que cada um colhe o que planta e...
- Tomá no cu, ninguém escolhe ser fodido.
- Você é uma menina, doce, meiga, não pega bem falar nesses termos.
- Tudo bem, “ninguém opta por nascer socialmente desprivilegiado”.
- Bem melhor assim!
- Grande bosta, quer dizer a mesma coisa.
- Olha, eu não consigo identificar o problema, não vou conseguir eliminar o pensamento da sua vida. Mas eu tenho algumas medidas paliativas.
- O que é doutor?
- Posso te receitar um ácido. Tanto o LSD como outras drogas alucinógenas causam um conjunto de distorções na percepção da realidade.
- Hum, parece interessante, doutor. Mas não era a galera hippie, que queria mudar o mundo, que usava essas coisas aí?
- Era.
- Mas doutor, do mesmo jeito que o senhor tem que me “assistir” pensando pra encontrar a solução pro meu problema, pra mudar o mundo esses caras teriam que enxerga-lo como ele é.
- Pois é.
- Pô, doutor, desse jeito a minha cabeça dói. Mas peraí, doutor, esse povo famoso usou ácido e morreu, certo?
- É. A Janis, o Jim e o Jimi. Piraram.
- Ah, tô ligada. Curto o som dos caras.
- E porque eles morreram hoje você é obrigada a ouvir NX Zero.
- Nossa doutor, eu não desejo isso pra humanidade. Mas também não quero mudar o mundo, já desisti. Então esse negócio de ácido aí, acho que vai servir. Cansei de esperar um mundo melhor. E se todo mundo que usou era foda, pelo menos eu entro pra posteridade.
- Mas você chegou a lutar por um mundo melhor, ao invés de ficar só esperando?
- Pô doutor, não faz pergunta difícil.
- Responde.
- Ah, eu tento. Mas eu não sei fazer direito. Então melhor desencanar.
- Ouvi dizer esses dias que ninguém comete erro maior do que não fazer nada só porque pode fazer pouco.
- É doutor, realmente muito boa a frase. Mas as pessoas estão confundindo “fazer pouco” com “fazer mal feito”. E isso eu me recuso.
- É...
- Tá vendo? Acaba com isso, doutor, minha cabeça tá doendo. Me dá logo esse ácido. Quando eu tomar eu vou esquecer que tem criança laranja morrendo na favela pra sustentar a minha viagem?
- Acho que vai.
- Nossa, doutor, eu não tenho coragem de esquecer isso.
- Decide logo!
- Eu não consigo!!! Decidir dói. Mas pensando bem, tô acostumada com a dor. E se a minha vida não puder ser 100%, que ao menos eu possa melhorar em 1% a vida de alguém que dói também.
- É uma boa escolha.
- Obrigada, doutor. Quanto foi a consulta?
- R$100,00.
- Pô doutor, ia doer bem menos se você cobrasse mais barato.
- Acredito, mas isso já é um problema seu.


Silvia Ferreira | comentários(19)



14/07/2008 01:20
Five I's. Yes!!!

Siga estes cinco pressupostos para identificar situações que podem eliminar o tédio das nossas vidas, mesmo que apenas por alguns instantes.

Diante de qualquer estranhamento, pergunte-se:

É Insano?

Se você responde NÃO: Volte à sua vidinha insuportavelmente normal.
Se você responde SIM: Permita-se. E faça a segunda pergunta.

É Irracional?

Se você responde NÃO: Provavelmente é uma reflexão filosófica. Insanidade sem emoção, sem graça.
Se você responde SIM: Pare já de tentar raciocinar. E faça a terceira pergunta.

É Inebriante?

Se você responde NÃO: Se o insano e o irracional não te inebriam, és um caso perdido.
Se você responde SIM: Sinta. E vá para a quarta pergunta.

É irresistível?

Se você responde NÃO: Se resistes ao inebriante, só lamento.
Se você responde SIM: Viva o que há pra viver. E vá para a última pergunta.

É intenso?

Se você responde NÃO: Deixe de ser idiota. Jogue-se!
Se você responde não responde nada: é por que certamente nem se lembrou da última pergunta.

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!" (Fernando Pessoa)

POBRES HUMANOS NORMAIS, O MEDO DE SER DIFERENTES NOS TORNA TODOS IGUAIS...

POR ISSO....

VÁ ERRANDO ENQUANTO O TEMPO TE DEIXAR.

Ao recuperar-se, não deixe de registrar sua digressão em um texto.

Se fosse convencional, talvez perdesse o encanto. Era justamente o caráter inexplicável que os atraía para aquela situação: em um primeiro momento, embaraçosa. Depois, inacreditável. Em seguida, deliciosa, vivida, sentida, usufruída. Os olhares que por tanto tempo buscaram-se sem perceber não precisavam mais disfarçar a atração. Olhares doces, profundos, pedindo sempre mais - mais olhares, mais carinhos, mais beijos, mais atenção, mais daquele jeitinho tão peculiar, tão único, tão próprio de cada um. E a admiração mútua daquilo que tinham de melhor frutificava-se em momentos ímpares. Não importava o que um ou outro não era. Para quem se permite viver, importa apenas o que se é, o que existe e é suficiente para fazer feliz por um instante. Não precisa ser pra sempre. Basta apenas um instante insano, irracional, inebriante, irresistível e intenso. Que seja eterno enquanto dure, mas que não dure muito, apenas o suficiente pra desafiar a razão e permitir alguns espasmos de liberdade.

PS: Compartilhe seu "Instante Five I's" aqui no Desmascarando Demagogias. Mande sua insanidade pra mim, vou continuar cometendo loucuras e torcendo pela insensatez geral da humanidade.

"... Milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz..." (Clarice Lispector)

Silvia Ferreira | comentários(5)



29/06/2008 18:16
15 +... Love Songs

(Porque todo apaixonado fica “mulherzinha”)

Milk And Toast And Honey (Roxette)
Vulnerable (Roxette)
2 become 1 (Spice Girls)
Easy (Faith No More)
Amar é (Roupa Nova)
From this moment On (Shania Twain)
Build (Housemartins)
Don’t Know Why (Norah Jones)
To be with you (Mr. Big)
Suddenly (Soraya)
Para Tu Amor (Juanes)
Palpite (Vanessa Rangel)
Beija Eu (Marisa Monte)
Heal The Pain (George Michael)
Here Comes The Sun (The Beatles)

Uma homenagem aos casais amigos, especially:

Bruno e Júlia
Tetê e Carol
Ulisses e Lígia

Fofuras!


Silvia Ferreira | comentários(4)



17/06/2008 01:25
Sobre a relatividade das relações humanas...


Dias atrás, refleti sobre as pessoas que convivem comigo e sobre as que não convivem também. Fiquei pensando:

Por que tem gente tão legal que cansa a gente?
Por que tem gente tão legal e tão blasé?
Por que tem gente tão legal e tão arrogante?
Por que tem gente tão legal e tão diferente?
Por que tem gente tão legal e tão amarga?
Por que tem gente tão legal e tão pessimista?
Por que tem gente tão legal e tão divertida?
Por que tem gente tão legal e tão insuportável?
Por que tem gente tão legal e tão otimista?
Por que tem gente tão legal e tão agradável?
Por que tem gente tão legal e tão verdadeira?
Por que tem gente tão legal e tão falsa?

Porque no fundo todo mundo é muito legal e muito chato. O que nos faz classificar uma pessoa como legal é o fato da chatice dela estar no mesmo patamar da nossa própria chatice. Logo, seremos sempre suspeitos para julgar.

Por isso eu digo, mesmo, sem medo de parecer arrogante, que eu não me relaciono com qualquer um. No meu círculo de amizades sinceras estão apenas as pessoas tão chatas quanto eu. É por isso que muitas vezes o papo não flui... o meu interlocutor não é obrigado a viver a chatice da minha faculdade, do meu trabalho, dos meus delírios de consumo, dos meus surtos politizados ou dos meus problemas existenciais. E isso não as faz nem mais, nem menos. Apenas diferentes.

É engraçado como julgamos inadequadas para convívio as pessoas que vivem chatices diferentes das nossas... Se houvesse uma superação dialética de chatices, talvez a vida fosse mais divertida. No fundo, todo chato tem um “ó do borogodó”. Eu não sei o que é isso. Se soubesse, não usaria uma expressão ridícula que não diz nada pra tentar traduzir todo o inexplicável do ser humano, que é ser único em sua própria chatice. Por isso, vou tentar parar de classificar pessoas e deixar que vivam suas chatices ao lado de chatos semelhantes que se completam, se bastam e são felizes sem mim.

P.S. I Love You: Este post não vale para chatos bonitos e inteligentes.

Chatices profissionais:

Repórter – sigilo de informação – respeito e preservação da fonte: comportamento ético e socialmente responsável.

Assessor de imprensa – sigilo de informação – respeito e preservação do cliente: Comportamento filho da puta.

Eu não entendo!


Silvia Ferreira | comentários(8)



28/04/2008 13:43
Desmascaradores oficiais do mundo corporativo


" Não é porque ele distribui presentes de graça que vai justificar sua incompetência...."

Quando o Calvin escreve para o Papai Noel, pedindo um foguete atômico e ganha 2 meias e uma camisa.




"É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto e dorme tranqüilo
Sabendo do fundo do peito que não era nada daquilo..."


Viva Raul! :-)

Recado irônico-aleatório-pós-sábado-com-Luciano-Huck: Crianças, continuem soletrando palavras estanques assim tão bem! Vocês chegam longe soletrando! O Brasil se orgulha de vocês! O futuro reserva a vocês uma bela carreira como soletradores oficiais! É tudo o que vocês vão conseguir com essa fantástica habilidade!
MEU DEUS!!!! VAMOS INCENTIVAR AS CRIANÇAS A TENTAR SOLETRAR O MUNDO!


Silvia Ferreira | comentários(3)



04/04/2008 00:58
VAGAS PERGUNTAS COMPARTILHADAS
Aguardo as respostas, e espero que sejam menos vagas do que as minhas.


O que inspira você?

Se eu pudesse adiantar, não seria inspiração.

Porém, depois dessa propaganda aqui, resolvi encarar o dragão da inércia e recobrar o príncipe do sono profundo (Nos contos de fada são princesas, mas não sou evoluída e minha faca finca apenas um legume). O mais engraçado é que eu vi a propaganda na TV, o tal veículo réu pelo crime de emburrecimento coletivo. Sorry, não vivo sem ela, desde que sintonize Futura, Globonews, Telecine Pipoca e qualquer canal que transmita Chaves e Chapolin.

O que você faria se não tivesse medo?

Sente-se preparado para responder essa pergunta?

Com certeza, a primeira coisa que eu faria se não tivesse medo é: CONTAR O QUE EU FARIA SE NÃO TIVESSE MEDO. Principalmente sobre os tórridos pensamentos que me inspiram.

No fundo, o maior medo do ser humano é ser rejeitado pelas pessoas. Se perdêssemos esse medo, o pior de nós seria praticamente uma fratura exposta, aquele osso mesquinho e canalha que todo mundo tem. Em algumas pessoas é um fêmur, em outras um simples metacarpo. Ambos são fundamentais na constituição do corpo e do ser humano, pois, convenhamos, ser essencialmente bonzinho e politicamente correto deve ser muito chato.

O questionamento é de Richard Bach, autor do pequeno, mas grandioso livro, “Fernão Capelo Gaivota”. Recomendo a leitura, fácil, rápida e um pouco cansativa para mostrar que grandes conquistas não são fáceis.


Pra que serve o jornalismo humanizado?

Eu chamaria de sensacionalismo eufemizado.

Trata-se de uma conspiração da indústria farmacêutica tarja preta para tornar a população mais deprimida. Não preciso assistir na TV o enterro de uma criança de 12 anos que morreu de dengue. Também não preciso assistir o choro inconformado da mãe e um infográfico com o boletim de notas da garotinha na escola. E como não me inspira em nada, desde o ano passado abandonei definitivamente a leitura das colunas policiais e os filmes de terror.



Silvia Ferreira | comentários(4)



25/03/2008 00:55
Vem andar e voa...
(As demagogias de uma legítima canceriana romântica)



Um belo dia acordou e viu que tudo era novo. Inclusive o velho.
O velho deixou de ser distorcido pela fantasia e tornou-se novo. E quando a realidade veio à tona, sentiu-se só, porque nada é o bastante enquanto se busca um grande amor.

Alguém para esperar com um abraço gostoso ao chegar do trabalho.
Alguém para compartilhar leituras, músicas, e a poesia que se concretiza na cama. Dormindo ou não.
Alguém pra tratar a doença ou a manha.
Alguém pra mimar e dar atenção.
Alguém pra fazer aquela massagem no fim do dia.
Alguém pra assistir a novela das oito e o Jornal Nacional, abraçadinho no sofá... ou um filme com pipocas, no friozinho do inverno.
Alguém pra rir de desenhos animados e seriados mexicanos infantis.
Alguém pra brincar com o poodle no quintal...
Alguém pra dar carinho.
Alguém pra poder oferecer tudo isso e o que mais houver de melhor e pior.

Como pode doer tanto a falta de um alguém que ainda nem conhece?
Ah, como dói. E como cansa esperar.

Ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo...

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

(Vilarejo – Marisa Monte)




Silvia Ferreira | comentários(8)



18/03/2008 08:59
Diálogos Literários

Dialogando com www.noticias-mentirosas.blogspot.com

Toda nudez será escrita

A nudez precisa de inspiração... Sem pressa.

Começa nos entreolhares revestidos de pudor, que cruzam-se, perdem-se, disfarçam, mas insistentemente procuram-se e superam os pressupostos da razão.

Passa pelo esquecimento, sim... mas sensações verdadeiras reavivam-se, renascem, intensificam-se, buscam incansavelmente a consumação.

Chega ao toque... o leve toque que marca a presença, a reação, a imoral espera pelo avanço, a intensa satisfação da aproximação, a ternura profana, a conexão mística.

Inexplicável.
Insensata.
Inviolável.
Imutável.
Invencível.

Termina em poesia.


Silvia Ferreira | comentários(0)



30/12/2007 03:03
Considerações sobre um ano ímpar!


Putz, já estamos no dia 30!
O ano termina, e começa outra vez! A Simone canta isso como se tivesse descoberto a América... O clima é de paz, harmonia, alegria, esperança... e todas as outras baboseiras que escrevemos nos cartões. Se não fossem os protocolos, eu poderia ser mais sincera:

“Querido amigo...

Que em 2008 você possa olhar pra trás, ver todas as cagadas que você fez e refletir para não voltar a cometê-las. Que as suas cagadas sejam muitíssimo piores que as de 2007, para que de fato você possa aprender com elas e crescer cada vez mais.

Assim, crescendo, vendo-se humano e imperfeito, que você possa julgar menos.

À você, um feliz ano novo, repleto de erros novos!”




Silvia Ferreira | comentários(1)



28/09/2007 01:11
SINGELA HOMENAGEM ÀS PESSOAS MARAVILHOSAS


Tá tudo muito conturbado, sem perspectivas de melhorar. Dinheiro, todo mundo me pede, eu peço pra todo mundo, no final ninguém se ajuda e todos estão na pior. O mundo me provoca, e tudo o que eu consigo sentir nesse momento é uma alegria imensa porque eu tenho pessoas maravilhosas ao meu redor. E principalmente porque a esta altura dos meus singelos 21 aninhos eu sei exatamente o perfil das pessoas não-maravilhosas e me sinto sinceramente agraciada por ter tanta gente inesquecível no meu caminho. Eu sempre escrevo demais e bem rebuscado, mas hoje tô fazendo esse discurso diretão pq as coisas boas da vida são simples, e hoje eu to num momento muito bom pra falar das coisas boas da minha vida. E elas se resumem simplesmente em pessoas. Pq o resto a terra come, ou o mundo avacalha, ou os políticos roubam, ou as pessoas não maravilhosas atropelam.


Obrigada pessoas maravilhosas!
Eu não vou citar nomes pq vcs sabem quem são.
MINHA VIDA É MAIS COMPLETA PQ VCS FAZEM PARTE DELA!
EU AMO VOCÊS!




Silvia Ferreira | comentários(3)



16/06/2007 16:02
SE EU PUDESSE, E MEU DINHEIRO DESSE...
Eu voltaria no tempo, e faria tudo o que (AINDA) não fiz;
Eu cancelaria tudo, e começaria tudo de novo;
PRA SER UM POUCO MENOS DE EU MESMA.

MAS, SE EU QUISESSE, E O MUNDO PERMITISSE...
Eu seria só emoção e não teria malícias;
Eu seria uma pessoa só sem temer os prejuízos.


Silvia Ferreira | comentários(4)



28/05/2007 23:55
A imaturidade dos maduros: Entre o útil e o inútil, o real e o ideal


Das vãs sutilezas
Os homens recorrem por vezes a sutilezas fúteis e vãs para atrair nossa atenção. (...) Aprovo a atitude daquele personagem a quem apresentaram um homem que, com tamanha habilidade, atirava um grão de alpiste e o fazia passar pelo buraco de uma agulha, sem jamais errar o golpe. Tendo pedido ao outro que lhe desse uma recompensa por essa habilidade excepcional, atendeu o solicitado, de maneira prazenteira e justa a meu ver, mandando entregar-lhe três medidas de alpiste a fim de que pudesse continuar a exercer tão nobre arte. É prova irrefutável da fraqueza de nosso julgamento apaixonarmo-nos pelas coisas só porque são raras e inéditas, ou ainda porque apresentam alguma dificuldade, muito embora não sejam nem boas nem úteis em si. Montaigne, Ensaios


Descobri esse texto precioso na prova da Fuvest deste ano. Demagógico, não? Afinal, estão para inventar coisa mais inútil que o vestibular. Mas deixa pra lá...

Eu estava analisando a prova pra saber se ainda tenho a capacidade cartesiana de prestar outro vestibular: Gestão de Políticas Públicas na USP Leste. Só pra tentar ser uma jornalista política um pouco menos superficial do que sou hoje, pra não me sentir ainda mais uma atiradora de alpiste em agulhas, pra não ser mais uma profissional que escreve sobre nada para ninguém.

Não, não... eu não estou querendo desmerecer meus colegas de profissão. Pretendo apenas explicitar o conflito que vivemos entre o real e o ideal, o útil e o inútil. Queremos ser diferentes e não conseguimos. Desejamos ser melhores e não podemos. E mesmo assim, amamos tanto que nos sentimos traídos com cada decepção.

Hoje, minha amiga Marcela (linda, que saudade!), estudante e professora de história, conseguiu traduzir essa revolta com duas palavras certeiras, que há muito queria tirar de dentro de mim: é um gostar angustiante. Porque não deixamos de gostar das coisas como elas deveriam ser, assim como não podemos torná-las realidade perante a complexidade do sistema. Também não conseguimos abandonar esse sistema por possuirmos necessidades humanas e para evitar aquela triste sensação de covardia que nasce quando deixamos de lado algo ou alguém que precisa de nós.

E hoje eu li isso com tristeza em um site sobre liderança:

“O espírito comunitário é diametralmente oposto ao espírito de concorrência sobre o qual se têm baseado até nossos dias a vida social e todos os métodos de educação e de ensino.”

Métodos de educação e ensino? Que métodos? E o jornalista dito mediador, que tem o espaço de 5 centímetros/coluna pra fazer uma reportagem? E as publicidades desleais que vemos por aí? E as filosofias de empresas, pessoas e organizações que só se cumprem no papel e em palavras? E o princípio de que é preciso fazer o que o povo gosta, e ninguém gosta de ler? E a rapidez do mundo moderno que superficializa as relações sociais, os conceitos, as teorias e até a prática? Quantos homens tomariam mais gosto pelo seu trabalho, se este lhes fosse apresentado como um serviço social do qual se sentissem responsáveis? Até quando os donos da mídia, do poder, da cultura e do conhecimento nos tirarão o direito de conhecer aquilo que não conhecemos para aumentarem seus lucros?

Chamam-me utópica. “Vitalidade da juventude”, é o máximo que conseguem teorizar sobre minhas inquietações. “Não sabe nada sobre a vida, sobre o mercado, sobre nada”. De fato, não sei. E isso me faz mais esperta que os mais adultos, mais velhos, mais vividos, mais experientes... Afinal, quanto mais esperto eles foram, mais problemas criaram para eles mesmos e para todas as pessoas que vão sofrer as conseqüências diretas das suas ações.

Essa é a prática que costumo denominar “Um problema para cada solução”... Caminhos da semiótica e tantas outras coisas impraticáveis: uma solução criada para um problema que não existiria se essa solução não existisse.

É o velho ditado do besouro: Pela aerodinâmica do inseto, o vôo seria impossível. Mas os besouros nunca foram para a escola estudar física.

Estou usando neste momento recursos da contra-retórica. Grosso modo, isso me permite adiantar o que você possivelmente está pensando pra me apropriar da sua razão. Assim, tenho razão sobre qualquer aspecto e continuo sendo a dona da verdade que só existe pra mim. Ufa!

Olha que chato. O mundo ficou previsível. Sujeito a leis de todas as naturezas. Com que direito alguém pode se achar mais esperto que o outro, se uma bela retórica basta pra tornar verdadeiras tantas coisas inquestionáveis. Aliás, o “esperto” que inventou a retórica certamente morreu louco com o próprio veneno.

E eu, e tantos outros colegas, vamos seguir os mesmos passos. Daqui há uns 5 anos, no máximo, não restarão ilusões. Seremos espertos e incompletos, a favor das leis de mercado e contra os nossos sonhos. Grande besteira é sonhar. Nossos verdadeiros sonhos, aqueles que nasceram dentro de nós e não fora, não vão se realizar, porque nunca será possível comprá-los.

Ironias do destino, quando conseguimos conceber o mundo dessa forma e passamos a buscar o palpável pra sermos um pouco mais felizes, somos considerados porcos capitalistas, vendidos, prostituídos. Porém, inseridos e “engrupados” (quando não “engrupidos”), cada um com sua tribo, cada qual com a projeção da personalidade mais adequada ao contexto do mundo.

Alguém aí está disposto a lutar pela causa do ideal e do útil?
Eu até queria, mas tô sem dinheiro agora.


Silvia Ferreira | comentários(7)



12/04/2007 03:58
A Guerra do Século: Aquecimento Global


ONU aponta conseqüências do aquecimento global e China lança plano de ação para atenuar as mudanças climáticas; Energia nuclear continua sendo a mais polêmica entre as fontes alternativas.


No início deste mês, a ONU divulgou um relatório sobre o clima informando que a temperatura global pode aumentar entre 1,8ºC e 4ºC até 2100. Parece pouco, mas esta mudança, proporcionalmente brusca em escala geológica, pode provocar um aumento de até 59 cm no nível dos oceanos e diversas inundações, além de ciclones, tufões e furacões cada vez mais violentos e ondas de calor mais freqüentes, conforme avaliam os cientistas.

Como conseqüência direta desses efeitos, espera-se uma redução da oferta de água potável e o desaparecimento de ilhas, regiões litorâneas e superfícies férteis. Especialistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), setor da ONU responsável por esse tipo de monitoramento, afirmam que as mudanças obrigarão milhares de pessoas a abandonarem suas casas, e o número de refugiados do clima poderá ser superior ao de refugiados de guerra.

Considerando que a emissão de dióxido de carbono (CO2) é a principal causa desse superaquecimento, vários países já fazem investimentos pesados em busca de soluções. Nesta semana, a China, gigante do crescimento econômico no século 21, anunciou um plano nacional para atenuar a mudança climática. O projeto inclui medidas que reduzem a poluição da atmosfera e visa o estímulo da produção e transferência de tecnologias que respeitem o meio ambiente, envolvendo políticas de cooperação internacional.

No entanto, o debate climático tem ocorrido em torno de controversas opiniões e experiências que inviabilizam e aprovam, ao mesmo tempo, diversas fontes alternativas de energia. Nessa corrida, muitos ambientalistas, biólogos, economistas e cientistas de todos os campos apresentam estudos de procedência e alcance unilaterais - a começar pelos Estados Unidos, país que permanece enfático na não adesão do Protocolo de Kyoto, apesar de pesquisas de opinião pública apontarem que 70% dos americanos desaprovam a decisão.

Ao mesmo tempo em que se recusa a adotar as medidas sugeridas pelo protocolo, para não prejudicar a economia, o presidente e mercenário George W. Bush é especialista na imposição de entraves burocráticos aos países que investem no enriquecimento de Urânio, como fez ao enviar inspetores da ONU para vistoriar atividades nucleares no Brasil, notadamente de objetivos pacíficos – geração de energia. Obviamente, o que move Bush é a certeza da posse de uma arma de paz que o Brasil e todos os países do mundo teriam nas mãos caso construíssem suas próprias bombas atômicas. Com um equilíbrio de forças semelhante ao da Guerra Fria, o pobre e sanguinário Bush morreria de sede de guerra.

O cientista independente James Lovelock, autor da Hipótese Gaia, aponta a energia nuclear como única fonte incapaz de causar o aquecimento global. Lovelock afirma que a oposição à energia nuclear está baseada em um medo irracional, alimentado pela ficção de estilo hollywoodiano, pelo lobby verde e pela mídia. Ele justifica sua tese comparando os riscos diminutos de câncer por compostos químicos da radiação com o perigo real de câncer decorrente da poluição e da radiação solar, bem como as mortes por superaquecimento que fez cerca de 20 mil vítimas no verão europeu de 2004.

Em contrapartida, o físico José Goldemberg contesta as idéias de Lovelock. Para ele, usinas nucleares só servem para produzir eletricidade e, visto que 2/3 da energia consumida no mundo são obtidos por meio da queima de combustíveis fósseis, a energia nuclear não é a solução para o aquecimento global, resolvendo apenas parte do problema. Já o mestre em engenharia nuclear Joaquim Francisco de Carvalho se posiciona a favor da idéia, ainda que o ínfimo risco de acidentes não deva ser negligenciado. A opção mais sensata, segundo Joaquim, seria investir no aperfeiçoamento da tecnologia. Nesse caso, é indispensável que os países estejam livres de “lobistas teleguiados do exterior”.

São muitas as opiniões, dúvidas, pesquisas obscuras e questionáveis. Entretanto, propostas ecologicamente corretas devem partir de uma perspectiva abrangente, que incorpore a dimensão política e aspectos socioeconômicos e culturais no enfrentamento dos problemas ambientais para o desenvolvimento da civilização. Se a sustentabilidade pode ser definida como “uma forma de desenvolvimento econômico que emprega os recursos naturais e o meio ambiente, não apenas para o benefício do presente, mas também das gerações futuras” (SJÖSTROM,1996), todos esses fatores fazem da gestão ambiental uma questão altamente complexa que exige não apenas respostas técnicas.


Silvia Ferreira | comentários(3)



09/12/2006 13:01
Só os idiotas são felizes - parte II



Muitas coisas para fazer, muita preguiça para não fazer. Vontade de tocar um violão, mas ele quebrou. Vontade de tocar bateria, mas eu não sei. Vamos cantar então, é a única coisa que eu sei fazer e a única coisa que ninguém pode me tirar, nem me mandando calar a boca quando eu começo a encher o saco, porque eu só paro mesmo quando eu quero!

Tudo bem, mas são duas horas da manhã. Acha que eu estou ligando? Meu palco dos deuses está lá, guardado. E nessa correria toda, o único cômodo limpo da casa me espera de portas abertas: E agora, Silvia Ferreira Monte! – anuncia o boxe do banheiro. E daí que eu já tomei banho três vezes hoje? Tomo de novo, ué!

“Pousa-se toda Maria, no varal das 22 fadas nuas lourinhas... foste besouro Maria, e a aba do Pierrot descosturou na bainha...”

Estou num acústico MTV. É sério gente, é o maior tesão cantar com essa estrutura toda. Não, não, não é pelo sucesso. É pelo simples prazer de sentir a música perfeita com a banda perfeita tocando pra você. Só pra você. E você, cantando só pra ela. Tem horas que o público não interessa mesmo, me desculpe. Não estou nem aí para as suas palmas.

Agora eu estou tentando ser a Janis Joplin, mas não tá rolando. A música está na garganta, acho que a Janis fica tão brava de eu estragar a música dela que atrapalha toda a ressonância da minha caixa craniana. Será que é a falta de exercício de cantora rebelde? Vamos lá, vamos usar os aprendizados das fonoaudiólogas: projeção vocal, M mastigado. Limpeza da laringe, TRA com a língua. AAAAAA!!! Beleza, está mais bonito agora. Vamos de novo!

Então, não funcionou. Tem coisas que não é pro nosso bico mesmo. Parece um dueto. Eu canto uma parte, não agüento fazer a segunda e a Janis completa. Dou um gritão “Break it”! E ela continua “little piece of my heart now baby!”, e a gente está num palco, e eu sou a fã histérica que subiu pedindo pra cantar. E ela, locona, deixou. Desceu do palco, morreu de overdose de heroína aos 27 anos. Custava continuar cantando pra gente ouvir?

Cansei de ser vocalista. Quero ir pra aquele microfone lá de trás do palco do Rock in Rio. É, aquela fileirinha de cantores back vocais lá no fundo. Genteeee, deixa eu contar uma coisa: tem hora que é muito mais legal ser back vocal. E um aleatório lá anuncia: Red Hot Chilli Pepers! E eu lá, posicionada, de preto, cantando no meu cantinho e sendo feliz.

Cantamos Californication. Animal. Mas é o seguinte, não tá mais dando certo ficar no boxe. Já estou no meu sexto banho, e a bateria não pode molhar, senão estraga.

Saio fora, olho no espelho. Começa a tocar Otherside. E eu começo a tocar junto. Tá bom, eu não sei tocar bateria, mas não morro sem aprender. Serei uma vovó radical e vou ensinar os meus netinhos. Continuo tocando, tá rolando super. Não errei nem uma vez até agora. E colocaram um microfone perto de mim pra eu continuar fazendo backing.
Bom, esse espelho aceso está tirando todo o glamour do meu mundo fantástico. Então eu apago a luz. Eu, a música, a bateria e o microfone, estamos lá, sós, nos amando, felizes! Ninguém nos perturbe, por favor.

Scar Tissue é a próxima. Quer saber? Cansei de cantar. Animei geral. Estou dançando agora. Lembrando os tempos áureos em que ainda não tinha peitos e dançava qualquer coisa até me acabar. Estou fazendo umas coreografias muito legais. Mas isso sozinha não tem tanta graça. Eu queria achar um amigo tão bossal e idiota quanto eu para libertar todas as fantasias que cultivamos até hoje. Tá tudo tão sério, tão cansativo, e tão sem perspectivas de idiotice... que eu desligo o rádio. A Sara está escutando Garotos, do Leoni. Bonitinha a música, mas depressiva. Afinal, estamos em casa sozinhas em plena sexta-feira chuvosa, não voltaremos para nossas cidades tão cedo, temos contas a pagar, trabalhos pra entregar e a realidade pra encarar.

Post dedicado ao grande amigo, entusiasta e idiota, Gabriel!


Silvia Ferreira | comentários(44)

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